Principais destaques
- Modelos de negócio diferentes: a Microsoft amplia a cobrança por consumo no Copilot, enquanto o Google vislumbra oportunidades de publicidade com agentes de IA.
- Gemini deve avançar entre consumidores: Sundar Pichai afirmou que o Google pretende levar agentes de IA ao público geral ainda em 2026, começando pelo aplicativo Gemini.
- Investidores avaliam as apostas: a Microsoft já registra crescimento no uso de recursos cobrados por consumo, enquanto o Google busca transformar seus agentes em uma nova oportunidade de receita publicitária.
A próxima disputa entre Google e Microsoft não será apenas sobre qual empresa tem o agente de IA mais competente. A questão é quem conseguirá transformar esses sistemas em uma fonte sustentável de receita.
As duas gigantes apresentaram estratégias distintas ao divulgar seus resultados trimestrais na quarta-feira, 28 de outubro. De um lado, a Microsoft quer cobrar pelo trabalho realizado pelos agentes. Do outro, o Google enxerga oportunidades de monetização em experiências publicitárias adaptadas a essa nova forma de interação.
💰 A diferença está na conta: enquanto a Microsoft avança para um modelo em que o cliente paga conforme o consumo, o Google considera como a publicidade poderá se encaixar em experiências nas quais a IA executa tarefas em nome do usuário.
Google quer levar os agentes a bilhões de pessoas 🌐
O Google começou a desenvolver sua estratégia de agentes de IA pelo mercado corporativo, onde segurança, proteção de dados e governança são requisitos essenciais para a adoção empresarial.
Agora, a companhia pretende ampliar essa atuação para o consumidor comum.
Durante a apresentação dos resultados da Alphabet, o CEO Sundar Pichai afirmou que os recursos chegarão à Busca e ao aplicativo Gemini, que já ultrapassou a marca de 1 bilhão de usuários, segundo a empresa.
O plano também prevê integrar agentes a outros produtos do ecossistema Google, incluindo Chrome, Android e Workspace.
🗣 A ambição de Pichai: os agentes deverão funcionar como uma camada unificadora entre os produtos da companhia, permitindo que a inteligência artificial conecte diferentes serviços e execute tarefas de maneira integrada.
Questionado pelo analista Brian Nowak, do Morgan Stanley, sobre a chegada dos agentes ao público geral, Pichai indicou que o lançamento está previsto para ainda este ano, começando pelo Gemini.
A estratégia oferece ao Google uma vantagem potencial: distribuir agentes de IA por uma base gigantesca de usuários e aproveitar serviços que milhões de pessoas já utilizam diariamente.
Mas alcançar essa escala não significa, por si só, encontrar uma forma rentável de operar esses sistemas.
O custo de fazer a IA trabalhar
Agentes de IA podem ir além de responder a perguntas. Eles podem executar sequências de ações, interagir com ferramentas e realizar tarefas que exigem várias etapas de processamento.
Isso amplia as possibilidades de uso, mas também pode elevar os custos operacionais.
Segundo informações citadas pelo MarketWatch, o Google está desenvolvendo versões destiladas e mais leves do Gemini 4 Carbon para reduzir o custo de operação dos modelos.
A eficiência será importante para que a empresa consiga oferecer recursos avançados a uma base de usuários tão ampla sem comprometer a rentabilidade.
Há, portanto, duas frentes nessa estratégia: reduzir o custo de execução dos agentes e descobrir como monetizar as novas experiências.
📣 A publicidade pode acompanhar os agentes
A oportunidade publicitária foi destacada por Philipp Schindler, diretor comercial da Alphabet, e não por Pichai.
Ao responder a uma pergunta de um analista do Bank of America, Schindler afirmou que as experiências com agentes são adicionais às oportunidades existentes e demonstrou entusiasmo com as possibilidades de publicidade em um mundo orientado por agentes.
💡 Se os agentes passarem a intermediar mais atividades digitais, o Google poderá explorar novas formas de conectar publicidade, intenção de compra e descoberta de produtos.
Esse caminho, porém, ainda representa uma oportunidade em desenvolvimento, não uma fonte de receita com resultados comprovados no material apresentado.
A questão será encontrar formatos comerciais que funcionem em experiências cada vez mais automatizadas, sem comprometer a confiança do usuário.
Microsoft quer cobrar pelo trabalho realizado 💸
A Microsoft está seguindo outra direção. Em vez de depender principalmente de uma assinatura por usuário, a empresa está ampliando seu modelo comercial para incluir cobrança baseada no consumo.
Durante a teleconferência de resultados, o CEO Satya Nadella afirmou que o modelo de negócios do Copilot está se expandindo das assinaturas por usuário para incluir o consumo, ampliando o mercado potencial e a receita média por usuário.
A lógica é relativamente direta: se um agente executa tarefas de maior valor para uma empresa, o consumo desses recursos pode justificar gastos adicionais.
A aposta da Microsoft é transformar o trabalho executado pela IA em uma unidade de receita, além da assinatura tradicional.
A estratégia também permite relacionar parte do faturamento ao volume de utilização dos recursos, em vez de depender exclusivamente da quantidade de licenças contratadas.
📈 Os primeiros sinais de adoção
Os números apresentados pela companhia indicam crescimento no uso desse modelo:
- Mais de 75%: aumento trimestral no número de clientes do Copilot que utilizam créditos baseados em consumo.
- Mais de 2 vezes: crescimento no consumo de créditos de recursos com agentes no GitHub desde o início da cobrança baseada em uso.
Segundo o GeekWire, a Microsoft começou a oferecer cobrança baseada em consumo em conjunto com o preço por usuário em julho.
A diretora financeira Amy Hood também informou que a empresa não divulgou uma atualização do número de licenças do Copilot naquele trimestre.
Isso importa porque o número de assinaturas, isoladamente, não revela quanto os clientes estão efetivamente utilizando os recursos nem quanto estão dispostos a gastar além da mensalidade.
Dois modelos, duas maneiras de medir o sucesso
As estratégias podem ser resumidas em uma diferença fundamental: a Microsoft busca monetizar diretamente a utilização dos agentes, enquanto o Google explora como eles podem ampliar oportunidades comerciais dentro de seu ecossistema.
| Critério | Microsoft | |
|---|---|---|
| Estratégia central | Distribuir agentes entre produtos e consumidores | Ampliar a monetização do Copilot por consumo |
| Principal oportunidade | Publicidade em experiências com agentes | Cobrança pelo uso de recursos de IA |
| Distribuição | Gemini, Busca, Chrome, Android e Workspace | Copilot e GitHub, entre outros produtos |
| Desafio | Reduzir custos e desenvolver formatos comerciais | Demonstrar valor e controlar o custo do consumo |
Os modelos não são necessariamente excludentes. A Microsoft também pode explorar publicidade em determinados produtos, assim como o Google pode cobrar por recursos avançados de IA. A diferença está na ênfase que cada empresa atribui às oportunidades neste momento.
O mercado já começou a fazer suas apostas 📊
Os resultados financeiros divulgados na mesma quarta-feira ajudam a explicar por que as estratégias receberam atenção.
A Microsoft reportou receita de US$ 92,3 bilhões no primeiro trimestre fiscal, alta de 19% em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo a CNBC.
A Alphabet, por sua vez, registrou receita de aproximadamente US$ 127,6 bilhões, ligeiramente abaixo das estimativas dos analistas, segundo o material fornecido.
De acordo com o Benzinga, as ações da Alphabet recuaram fortemente nas negociações após o fechamento do mercado, enquanto as da Microsoft avançaram.
Esses movimentos não comprovam que os investidores tenham escolhido definitivamente um dos modelos de monetização. Os resultados trimestrais refletem diversos fatores, e não apenas as perspectivas dos agentes de IA.
Ainda assim, existe uma diferença relevante entre as duas apostas: a cobrança por consumo já apresenta sinais mensuráveis de adoção na Microsoft, enquanto a publicidade associada aos agentes do Google permanece uma oportunidade futura a ser desenvolvida.
A pergunta que vai definir a próxima fase da IA
A popularização dos agentes pode mudar a maneira como as empresas de tecnologia calculam o valor de seus produtos.
Uma assinatura tradicional vende acesso a uma ferramenta. A cobrança por consumo procura capturar o valor associado ao uso dessa ferramenta. Já a publicidade depende da capacidade de conectar usuários, intenções e oportunidades comerciais sem prejudicar a experiência.
Cada modelo enfrenta desafios próprios. O consumo precisa justificar seus custos e preços; a publicidade precisa encontrar espaço em interações que podem ser cada vez mais automatizadas.
O próximo teste será econômico, não apenas tecnológico. Se os agentes realmente assumirem tarefas mais complexas, Google e Microsoft terão de demonstrar que conseguem transformar essa conveniência em receitas recorrentes e rentáveis.
A disputa, portanto, não termina quando um agente conclui uma tarefa. Ela começa quando alguém precisa pagar por ela, direta ou indiretamente.