Google esclarece polêmica e diz que escolas poderão usar a Busca sem Gemini

Renê Fraga
6 min de leitura

Principais destaques

  • Ferramentas desativadas por padrão: Gemini, Gemini Notebook e Google Search ficarão desligados inicialmente nas contas educacionais.
  • Escolha individual das escolas: instituições poderão ativar um, dois ou todos os três serviços, conforme suas próprias necessidades.
  • Busca com foco no aprendizado: Google promete transformar AI Overviews e AI Mode em ferramentas de aprendizado guiado, evitando respostas prontas para tarefas escolares.

Depois de enfrentar uma onda de críticas de políticos e representantes da educação nos Estados Unidos, o Google decidiu esclarecer sua nova política para escolas que utilizam seus serviços educacionais.

A empresa publicou uma declaração oficial no X para contestar a interpretação de que estaria condicionando o acesso ao Google Search à adoção de ferramentas de inteligência artificial, como o Gemini.

A mensagem tenta mudar o foco da discussão: segundo o Google, a novidade não representa uma imposição tecnológica, mas uma ampliação do controle das instituições sobre os recursos disponíveis para estudantes.

🗣 A resposta oficial: a empresa afirmou que os anúncios foram desenvolvidos para oferecer mais opções às escolas, e não reduzir sua autonomia.

🔴 Gemini e Search ficarão desativados por padrão

O principal esclarecimento do Google envolve o funcionamento inicial dos serviços nas contas educacionais.

Segundo a companhia, Gemini, Gemini Notebook e Search estarão desativados por padrão para instituições de ensino fundamental e médio, conhecidas nos Estados Unidos como K-12.

A mudança atende a pedidos de educadores que desejam ter mais controle sobre a utilização de inteligência artificial pelos estudantes.

Mas existe um detalhe importante: os três serviços poderão ser habilitados individualmente.

Na prática, as escolas terão três possibilidades:

  • Gemini: ativar o assistente de inteligência artificial sem necessariamente habilitar os outros serviços.
  • Gemini Notebook: permitir o uso da ferramenta voltada à organização e exploração de informações.
  • Google Search: habilitar o mecanismo de busca independentemente dos demais recursos.

Isso significa que uma instituição poderá utilizar o Google Search sem necessariamente liberar o Gemini para seus estudantes.

A proposta do Google é permitir que cada escola escolha quais serviços deseja disponibilizar, em vez de obrigar todas as instituições a adotar o mesmo conjunto de ferramentas.

📚 Google quer transformar a busca em uma ferramenta de aprendizado

A segunda parte do comunicado aborda uma mudança que pode ter consequências importantes para o futuro da pesquisa online nas escolas.

O Google está atualizando a experiência do Search para instituições de ensino, com melhorias voltadas especificamente ao aprendizado.

O destaque está na evolução de dois recursos conhecidos: AI Overviews e AI Mode.

Em vez de simplesmente apresentar respostas prontas, as ferramentas deverão oferecer orientações passo a passo para ajudar estudantes a resolver problemas.

💡 A mudança de abordagem: a inteligência artificial deverá funcionar mais como um tutor do que como uma máquina de fornecer respostas.

Imagine um estudante tentando resolver uma equação matemática. Em vez de receber imediatamente o resultado, ele poderá ser conduzido por etapas, com explicações que ajudem a compreender o raciocínio necessário para chegar à solução.

A proposta é reduzir a possibilidade de utilização da IA como atalho para concluir tarefas escolares sem aprendizado efetivo.

🎓 Educadores querem mais controle sobre a inteligência artificial

O Google também reconheceu que existe preocupação entre professores e instituições de ensino sobre a utilização de inteligência artificial para contornar atividades escolares.

A empresa afirmou que ouviu essas preocupações durante os últimos meses e que as mudanças anunciadas procuram responder diretamente ao feedback recebido dos educadores.

O posicionamento indica uma tentativa de encontrar equilíbrio entre dois objetivos:

  • Permitir que estudantes tenham acesso às novas tecnologias.
  • Evitar que ferramentas de IA substituam o processo de aprendizagem.

Essa discussão está se tornando cada vez mais importante à medida que assistentes inteligentes passam a fazer parte das plataformas utilizadas diariamente por estudantes.

⚖️ Resposta resolve a polêmica?

O novo esclarecimento muda um ponto importante da interpretação inicial sobre a política educacional do Google.

A possibilidade de ativar o Search independentemente do Gemini indica que as escolas não precisam necessariamente aceitar o assistente de IA para continuar utilizando a busca.

Entretanto, a controvérsia também revela um desafio maior para a companhia.

O Google precisa convencer educadores de que a integração da inteligência artificial representa uma melhoria para a educação, e não uma maneira de tornar escolas e estudantes ainda mais dependentes de seu ecossistema.

A promessa de transformar AI Overviews e AI Mode em ferramentas de aprendizado guiado pode ser um passo nessa direção.

Agora, a questão será observar como esses recursos funcionarão na prática e se conseguirão ajudar os estudantes a aprender, em vez de simplesmente encontrar respostas mais rapidamente.

Afinal, em uma sala de aula, chegar à resposta certa nem sempre significa ter aprendido alguma coisa.

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Renê Fraga é fundador do Google Discovery (GD) e editor-chefe do Eurisko. Profissional de marketing digital, com pós-graduação pela ESPM, acompanha o Google desde os anos 2000 e escreve há mais de duas décadas sobre tecnologia, produtos digitais e o ecossistema da empresa. Criador do Google Discovery em 2006, tornou-se referência na cobertura do Google no Brasil e foi colunista do TechTudo (Globo.com), compartilhando análises e conhecimento com um grande público.
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