Especificações do Gemini Intelligence do Google excluem Pixel 9 e Galaxy Z Fold 7

Renê Fraga
10 min de leitura

Principais destaques:

  • O Google criou requisitos extremamente rigorosos para o Gemini Intelligence e deixou aparelhos premium recentes de fora.
  • Nem mesmo dispositivos da própria empresa, como a linha Pixel 9, serão compatíveis com a nova plataforma de IA.
  • A estratégia reforça uma mudança importante no Android: recursos de inteligência artificial dependerão cada vez mais de hardware específico e atualizado.

O Google apresentou recentemente o Gemini Intelligence como o próximo grande passo da inteligência artificial dentro do Android. A proposta é ambiciosa: transformar o sistema operacional em uma plataforma capaz de entender contexto, automatizar tarefas e agir de maneira quase autônoma entre aplicativos e serviços.

Mas enquanto o anúncio parecia representar um avanço importante para o futuro da IA móvel, os detalhes técnicos divulgados discretamente pela empresa começaram a gerar uma reação negativa entre usuários e especialistas do mercado Android.

Isso porque diversos smartphones flagship recentes, incluindo aparelhos extremamente caros e poderosos, simplesmente não serão compatíveis com a novidade. Entre os modelos afetados estão a linha Google Pixel 9 e o Samsung Galaxy Z Fold 7, dois dispositivos que até pouco tempo eram tratados como referência em inteligência artificial móvel.

A descoberta chamou atenção porque muitos consumidores acreditavam que aparelhos premium lançados recentemente estariam preparados para qualquer nova função baseada em IA. Porém, o Gemini Intelligence mostra que a nova geração de recursos do Android exigirá muito mais do que apenas um processador poderoso.

Os requisitos do Gemini Intelligence são muito mais rígidos do que parecia

Na página oficial da plataforma, o Google lista uma série de exigências técnicas para que um celular possa rodar o Gemini Intelligence de forma completa. Embora algumas delas fossem esperadas, o conjunto final acabou criando uma barreira muito maior do que muitos imaginavam.

Os aparelhos precisarão contar com:

  • Chip classificado como flagship
  • Pelo menos 12 GB de RAM
  • Compatibilidade com AI Core
  • Suporte ao Gemini Nano v3 ou superior
  • No mínimo cinco atualizações garantidas do Android
  • Pelo menos seis anos de atualizações de segurança trimestrais

Na prática, isso reduz drasticamente a quantidade de dispositivos compatíveis. Mesmo smartphones premium lançados em 2024 e parte de 2025 acabam ficando de fora por não atenderem um detalhe específico: a versão do Gemini Nano utilizada internamente.

O grande ponto de exclusão está justamente no requisito do Gemini Nano v3.

Segundo informações divulgadas pelo 9to5Google, a linha Pixel 9 opera com Gemini Nano v2. Apesar de possuir hardware moderno, boa quantidade de RAM e integração profunda com IA, os aparelhos não alcançam o nível exigido pelo novo sistema.

O mesmo problema afeta o Samsung Galaxy Z Fold 7. Mesmo sendo um dos smartphones mais caros e avançados do mercado Android, ele também não possui compatibilidade com o Nano v3.

Isso significa que os dois aparelhos ficam automaticamente excluídos da experiência completa do Gemini Intelligence.

O caso do Pixel 9 gera críticas ainda maiores ao Google

A situação se torna ainda mais delicada para o Google porque a linha Pixel sempre foi apresentada como a vitrine oficial da inteligência artificial no Android.

Durante o lançamento do Google Pixel 9 Pro Fold e dos demais modelos da família Pixel 9, a empresa destacou repetidamente os recursos baseados em Gemini, edição inteligente de imagens, assistentes contextuais e processamento local de IA.

Agora, poucos meses depois, a própria fabricante praticamente coloca a linha em uma categoria inferior diante da nova plataforma.

Para muitos usuários, isso cria uma sensação de atualização prematura. Afinal, consumidores que investiram em aparelhos extremamente caros acreditavam estar comprando dispositivos preparados para o futuro da IA no Android.

O problema é que o conceito de “pronto para IA” parece estar mudando em um ritmo muito mais acelerado do que o esperado.

Especialistas do setor já começam a apontar que o Gemini Intelligence representa uma mudança importante na forma como o Google desenvolverá o Android daqui para frente. Recursos avançados não dependerão apenas do sistema operacional, mas principalmente de hardware específico voltado para modelos de IA locais.

Gemini Intelligence quer transformar completamente a experiência Android

O Google revelou oficialmente o Gemini Intelligence durante o evento The Android Show, realizado em 12 de maio. Na apresentação, a empresa descreveu a plataforma como o início de uma nova era para o Android.

Segundo a companhia, o objetivo é transformar o sistema operacional em um verdadeiro “sistema de inteligência”, capaz de compreender contexto, hábitos e intenções do usuário em tempo real.

A proposta vai muito além dos assistentes virtuais tradicionais.

O Gemini Intelligence deverá permitir que o celular execute ações complexas entre aplicativos sem exigir comandos manuais constantes. Entre os exemplos demonstrados pelo Google estão:

  • Procurar automaticamente o programa de uma disciplina no Gmail
  • Identificar livros necessários para um curso
  • Adicionar os produtos ao carrinho de compras
  • Preencher formulários usando dados de outros serviços do Google
  • Executar tarefas contextuais em múltiplos aplicativos ao mesmo tempo

Tudo isso dependerá fortemente de processamento local de IA, motivo pelo qual os requisitos técnicos ficaram tão elevados.

O Google também indicou que a plataforma utilizará recursos avançados de automação de tela e compreensão contextual contínua. Isso exige chips preparados para cargas pesadas de inteligência artificial on-device.

Pixel 10 e Galaxy S26 serão os primeiros grandes beneficiados

Enquanto diversos aparelhos atuais ficam de fora, o Google confirmou que o Gemini Intelligence chegará inicialmente ao Google Pixel 10 e à linha Samsung Galaxy S26.

Os novos dispositivos já estão sendo desenvolvidos pensando especificamente nas exigências da plataforma.

Segundo rumores da indústria, os aparelhos trarão melhorias importantes em processamento neural, memória e integração com AI Core.

Além disso, relatórios do Seoul Economic Daily apontam que a Samsung pretende expandir rapidamente o suporte ao Gemini Intelligence em seus futuros dobráveis premium.

Os esperados Samsung Galaxy Z Fold 8 e Samsung Galaxy Z Flip 8, previstos para o próximo evento Unpacked em julho, podem chegar já preparados para executar a plataforma de forma nativa por meio da One UI 9.

Isso coloca os futuros lançamentos em uma posição muito mais privilegiada do que modelos vendidos poucos meses antes.

A inteligência artificial está encurtando a vida útil dos smartphones?

A exclusão de aparelhos recentes reacendeu uma discussão importante no mercado de tecnologia: a IA pode acelerar a obsolescência dos celulares.

Historicamente, smartphones premium costumavam manter relevância por vários anos, especialmente quando ainda recebiam atualizações do Android e patches de segurança.

Porém, o avanço acelerado da inteligência artificial está criando uma nova divisão dentro do mercado.

Agora, não basta apenas ter um aparelho rápido. Será necessário possuir hardware específico capaz de executar modelos de IA cada vez maiores e mais sofisticados localmente.

Isso cria um cenário onde até smartphones recentes podem perder rapidamente acesso aos recursos mais modernos.

O caso do Google Pixel 9a já havia servido como alerta anteriormente. O aparelho ficou limitado em recursos multimodais do Gemini Nano por possuir apenas 8 GB de RAM.

Com o Gemini Intelligence, o problema se torna ainda maior porque atinge até dispositivos premium extremamente caros.

Para muitos consumidores, isso pode representar uma mudança significativa na forma de comprar smartphones daqui para frente. Recursos de IA tendem a se tornar um dos fatores mais importantes para definir a longevidade real de um aparelho.

Ao mesmo tempo, fabricantes podem usar essa corrida tecnológica como incentivo indireto para acelerar ciclos de atualização e estimular novas vendas.

O futuro da IA no Android pode ficar cada vez mais exclusivo

O movimento do Google também levanta dúvidas sobre o futuro do Android como plataforma aberta e amplamente acessível.

Se os recursos mais avançados de inteligência artificial dependerem de hardware extremamente específico, o ecossistema Android poderá enfrentar uma fragmentação ainda maior entre aparelhos compatíveis e incompatíveis.

Usuários com dispositivos topo de linha recentes podem acabar descobrindo rapidamente que seus aparelhos não recebem as funções mais avançadas anunciadas pela empresa.

Isso cria uma nova categoria dentro do mercado premium: celulares “compatíveis com IA de próxima geração”.

Ao que tudo indica, o Gemini Intelligence será apenas o começo dessa transformação. Nos próximos anos, a inteligência artificial deve se tornar o principal fator de diferenciação entre smartphones Android.

E isso pode mudar completamente a relação entre hardware, software e tempo de vida útil dos aparelhos.

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Renê Fraga é fundador do Google Discovery (GD) e editor-chefe do Eurisko. Profissional de marketing digital, com pós-graduação pela ESPM, acompanha o Google desde os anos 2000 e escreve há mais de duas décadas sobre tecnologia, produtos digitais e o ecossistema da empresa. Criador do Google Discovery em 2006, tornou-se referência na cobertura do Google no Brasil e foi colunista do TechTudo (Globo.com), compartilhando análises e conhecimento com um grande público.
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