Como usar os novos simulados do Enem no Gemini: guia completo para estudar melhor com a IA do Google

Renê Fraga
7 min de leitura

Principais destaques

  • O Gemini passará a oferecer simulados gratuitos do Enem diretamente no aplicativo e no Modo IA da Busca.
  • A ferramenta analisa erros, identifica dificuldades e cria planos de estudo personalizados.
  • Especialistas alertam que a IA pode acelerar a aprendizagem, mas o desempenho continua dependendo do raciocínio e da participação ativa do estudante.

Estudar para o Enem pode ficar mais simples nos próximos meses. Durante o Google for Brasil 2026, o Google anunciou uma nova experiência educacional dentro do Gemini que promete ajudar milhões de estudantes brasileiros a se prepararem para o principal exame de acesso ao ensino superior do país.

A novidade inclui simulados gratuitos, análises detalhadas de desempenho e sugestões personalizadas de estudo, tudo integrado à inteligência artificial da empresa.

A iniciativa foi desenvolvida em parceria com a edtech Akira Enem e chega em um momento em que a inteligência artificial está cada vez mais presente na rotina dos estudantes. A proposta não é apenas aplicar testes, mas atuar como uma espécie de tutor digital capaz de apontar caminhos para uma preparação mais eficiente.

Mas afinal, como os simulados funcionarão? E até que ponto a inteligência artificial pode realmente ajudar quem sonha com uma vaga na universidade?

Como acessar e usar os simulados do Enem no Gemini

Segundo o Google, os recursos começarão a ser disponibilizados a partir de julho para usuários brasileiros do Gemini. Os simulados estarão acessíveis diretamente pelo aplicativo e também por meio do Modo IA da Busca do Google.

Na prática, o estudante poderá escolher entre diferentes formatos de avaliação:

  • Simulado completo seguindo o modelo do Enem.
  • Testes focados em Matemática.
  • Exercícios específicos de Linguagens.
  • Questões de Ciências Humanas.
  • Avaliações voltadas para Ciências da Natureza.

Após selecionar a modalidade desejada, o usuário responderá às questões de múltipla escolha diretamente na plataforma. Ao concluir a atividade, a inteligência artificial fará uma correção automática e apresentará um relatório completo de desempenho.

O diferencial está justamente nessa análise. Em vez de apenas informar quantas questões foram acertadas, o Gemini mostrará quais conteúdos precisam de reforço, quais áreas apresentam melhor desempenho e quais erros foram cometidos com mais frequência.

Além disso, a IA explicará o motivo de cada resposta incorreta, ajudando o estudante a compreender o raciocínio correto.

O que torna a ferramenta diferente dos simulados tradicionais

Simulados online não são novidade. Existem diversos aplicativos e plataformas que oferecem bancos de questões há anos. O que muda com o Gemini é a capacidade de personalização proporcionada pela inteligência artificial.

Depois de analisar os resultados, o sistema poderá criar um plano de estudos individualizado. Em vez de sugerir uma rotina genérica, a IA direcionará os esforços para os assuntos que realmente precisam de atenção.

Imagine um estudante que tenha um ótimo desempenho em Linguagens, mas encontre dificuldades em geometria e física. Em vez de continuar estudando todos os temas da mesma forma, o Gemini poderá recomendar revisões específicas, exercícios complementares e até sessões extras de prática voltadas para os pontos mais fracos.

Esse tipo de orientação personalizada é uma das maiores promessas da inteligência artificial aplicada à educação. Ferramentas semelhantes já são utilizadas para criar cronogramas de estudos, distribuir conteúdos ao longo da semana e organizar revisões periódicas.

Outro ponto importante é a disponibilidade gratuita. Muitos estudantes dependem de cursinhos, plataformas pagas ou materiais especializados para ter acesso a diagnósticos mais detalhados. A integração desse recurso ao Gemini pode democratizar parte desse acompanhamento.

Como aproveitar a IA sem prejudicar o aprendizado

Apesar do entusiasmo com a novidade, educadores e pesquisadores fazem um alerta importante: a inteligência artificial deve funcionar como uma ferramenta de apoio, e não como substituta do processo de aprendizagem.

Nos últimos anos, estudos têm investigado os impactos do uso excessivo de IA em atividades intelectuais. Um dos conceitos discutidos é o de “dívida cognitiva”, que descreve situações em que as pessoas passam a depender tanto da tecnologia que deixam de exercitar habilidades fundamentais, como análise crítica, interpretação e memorização.

Para especialistas em educação, os melhores resultados aparecem quando a IA é utilizada para complementar o estudo e não para entregar respostas prontas. Isso significa que o estudante deve aproveitar as explicações oferecidas pelo Gemini para entender o conteúdo, questionar informações e desenvolver seu próprio raciocínio.

Uma boa estratégia é utilizar os simulados em quatro etapas:

  1. Realizar a prova sem consultar respostas.
  2. Analisar cuidadosamente os erros apontados pela IA.
  3. Revisar os conteúdos relacionados às questões erradas.
  4. Fazer um novo simulado para medir a evolução.

Dessa forma, a inteligência artificial deixa de ser apenas uma ferramenta de consulta e passa a atuar como uma aliada no desenvolvimento das competências exigidas pelo Enem.

O próprio Google afirma que o objetivo é ajudar estudantes a identificar lacunas de aprendizagem, praticar conhecimentos e construir planos de estudo mais eficientes.

A chegada dos simulados ao Gemini representa mais um passo da empresa na área educacional. Além desse recurso, o Google já oferece ferramentas como o NotebookLM, que permite criar resumos, materiais de revisão e até conteúdos em áudio a partir de documentos de estudo.

Para quem está se preparando para o Enem 2026, a novidade pode representar uma oportunidade interessante de tornar os estudos mais organizados e personalizados. Ainda assim, a tecnologia continua sendo apenas uma parte da equação.

O desempenho na prova seguirá dependendo da disciplina, da prática constante e da capacidade de transformar informação em conhecimento.

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Renê Fraga é fundador do Google Discovery (GD) e editor-chefe do Eurisko. Profissional de marketing digital, com pós-graduação pela ESPM, acompanha o Google desde os anos 2000 e escreve há mais de duas décadas sobre tecnologia, produtos digitais e o ecossistema da empresa. Criador do Google Discovery em 2006, tornou-se referência na cobertura do Google no Brasil e foi colunista do TechTudo (Globo.com), compartilhando análises e conhecimento com um grande público.
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