Principais destaques
- A Cielo apresentou uma plataforma de pagamentos que permite a agentes de inteligência artificial realizar compras completas durante conversas digitais.
- A solução utiliza o protocolo aberto AP2, desenvolvido pelo Google Cloud, para integrar pagamentos seguros a experiências conversacionais.
- Segundo a empresa, a tecnologia pode reduzir o tempo de checkout em até 60%, diminuir o abandono de carrinhos e aumentar a conversão de vendas.
A inteligência artificial está deixando de ser apenas uma ferramenta de atendimento e recomendação para assumir um papel muito maior nas compras online.
A Cielo anunciou uma nova plataforma de pagamentos desenvolvida com tecnologia do Google Cloud que permite que agentes de IA conduzam praticamente toda a jornada de compra de forma autônoma.
A proposta é transformar o processo tradicional de comércio eletrônico em uma conversa natural entre consumidor e assistente virtual, eliminando diversas etapas que normalmente tornam a experiência mais lenta.
Na prática, o consumidor poderá conversar com um agente inteligente para encontrar produtos, comparar preços, receber recomendações personalizadas, negociar condições de pagamento e concluir toda a compra sem precisar alternar entre páginas, preencher formulários ou inserir manualmente dados de pagamento.
Todo o processo acontece dentro da própria conversa, mantendo a segurança exigida pelas transações financeiras.
Para tornar isso possível, a plataforma utiliza o protocolo aberto AP2, desenvolvido pelo Google Cloud. Esse padrão foi criado para permitir que sistemas de inteligência artificial consigam executar pagamentos de forma padronizada, segura e compatível com diferentes plataformas e empresas, abrindo caminho para uma nova geração de experiências digitais.
O checkout pode deixar de ser um obstáculo nas compras online
Quem costuma fazer compras pela internet conhece bem o momento em que muitas vendas acabam sendo abandonadas: o checkout. Mesmo depois de escolher um produto, diversos consumidores desistem da compra ao encontrar cadastros extensos, etapas adicionais de autenticação ou a necessidade de preencher repetidamente informações pessoais e de pagamento.
A proposta da Cielo é justamente eliminar essa barreira. Em vez de navegar por diferentes telas, o usuário conversa com um agente de IA que entende sua intenção, pesquisa opções, apresenta sugestões, responde dúvidas e, quando recebe autorização do consumidor, realiza toda a transação automaticamente.
Segundo dados apresentados pela empresa, a plataforma pode reduzir o tempo médio necessário para concluir uma compra em até 60%. A expectativa também é diminuir o abandono de carrinhos em aproximadamente 30%, um dos principais desafios enfrentados pelo comércio eletrônico atualmente.
Os benefícios também se estendem aos lojistas. A Cielo estima que empresas que adotarem essa tecnologia poderão aumentar em até 15% o número de vendas concluídas e reduzir em cerca de 20% os custos relacionados às operações de pagamento. Além disso, os agentes inteligentes conseguem compreender melhor o comportamento de cada consumidor, permitindo recomendações mais precisas e promoções personalizadas, o que pode fortalecer o relacionamento entre marcas e clientes.
Para o CEO da Cielo, Estanislau Bassols, essa mudança representa uma evolução natural da experiência de compra digital. Segundo o executivo, atividades que antes exigiam vários cliques, preenchimento manual de informações e mudanças constantes de página passam a acontecer de maneira fluida, dentro de uma única conversa conduzida por inteligência artificial.
Google Cloud fornece a base tecnológica para toda a operação
Embora a novidade seja apresentada como uma plataforma de pagamentos da Cielo, grande parte da infraestrutura tecnológica necessária para seu funcionamento é fornecida pelo Google Cloud.
O projeto utiliza diferentes soluções da plataforma de nuvem da empresa para permitir que milhões de transações possam ser realizadas diariamente com velocidade, estabilidade e segurança.
Um dos principais componentes é o Gemini Enterprise Agent Platform, ambiente criado para desenvolver, coordenar e administrar agentes inteligentes voltados ao ambiente corporativo. É essa plataforma que organiza toda a comunicação entre os diferentes agentes envolvidos na compra.
Já o modelo Gemini, desenvolvido pelo Google, atua como o cérebro da operação. Ele interpreta a linguagem natural utilizada pelo consumidor, entende pedidos feitos em linguagem comum, identifica intenções de compra, responde perguntas sobre produtos e executa as ações necessárias até a conclusão do pagamento.
Na prática, isso significa que o consumidor pode utilizar frases simples como faria em uma conversa com outra pessoa, enquanto o agente interpreta essas solicitações e realiza automaticamente diversas tarefas que hoje ainda dependem da navegação tradicional em sites ou aplicativos.
Protocolos abertos permitem que diferentes sistemas conversem entre si
Outro diferencial da plataforma está na utilização de protocolos abertos, que facilitam a comunicação entre empresas e evitam que cada organização precise desenvolver integrações exclusivas.
Entre esses protocolos está o A2A (Agent to Agent), responsável por permitir que agentes inteligentes de diferentes empresas troquem informações diretamente. Isso possibilita, por exemplo, que um assistente virtual responsável pelo atendimento possa conversar com outro agente especializado em pagamentos ou logística sem que o consumidor perceba essa troca de informações.
Outro componente importante é o MCP (Model Context Protocol), protocolo que conecta os agentes de inteligência artificial aos sistemas internos das empresas. É por meio dele que os assistentes conseguem consultar estoques, acessar catálogos de produtos, verificar disponibilidade, calcular fretes e obter informações comerciais em tempo real.
Todos esses recursos trabalham em conjunto com o protocolo AP2, que adiciona a capacidade de executar pagamentos seguros durante a conversa, formando um ecossistema completo para compras realizadas por agentes inteligentes.
A adoção de padrões abertos também pode facilitar a expansão desse tipo de solução para diferentes varejistas, instituições financeiras e plataformas digitais, reduzindo barreiras técnicas para futuras integrações.
Infraestrutura foi projetada para suportar milhões de transações
Como se trata de uma plataforma voltada ao setor financeiro, desempenho e segurança são pontos fundamentais.
Segundo a Cielo, o processamento das operações utiliza serviços como Cloud Run e Cloud Spanner, tecnologias do Google Cloud desenvolvidas para lidar com grandes volumes de acessos simultâneos mantendo baixa latência e alta disponibilidade. Essa infraestrutura foi projetada para processar milhões de transações diariamente em frações de segundo.
Todas as operações realizadas também são registradas no BigQuery, plataforma de análise de dados do Google Cloud. O serviço permite armazenar informações para auditorias, geração de relatórios e atendimento às exigências regulatórias do mercado financeiro.
Na camada de segurança, a proteção dos dados é feita com o apoio do Cloud KMS e do Cloud HSM, soluções responsáveis pelo gerenciamento de chaves criptográficas utilizadas para proteger informações sensíveis dos consumidores e das empresas.
Essas tecnologias ajudam a garantir que toda a plataforma opere seguindo padrões internacionais de segurança exigidos pelo setor financeiro, reduzindo riscos durante as transações e protegendo os dados envolvidos em cada compra.
Para Rafael d’Ávila, head do setor financeiro do Google Cloud no Brasil, a parceria com a Cielo demonstra como inteligência artificial, infraestrutura em nuvem e análise de dados podem trabalhar juntas para criar uma nova geração de experiências digitais. Segundo o executivo, o objetivo é posicionar a IA como elemento central da jornada de compra, oferecendo uma experiência mais rápida, integrada e segura tanto para consumidores quanto para empresas.
A iniciativa também reforça um movimento cada vez mais evidente dentro do mercado de tecnologia: transformar agentes de inteligência artificial em participantes ativos das transações comerciais. Em vez de apenas responder perguntas ou recomendar produtos, esses sistemas passam a negociar, consultar informações, executar pagamentos e acompanhar toda a experiência do cliente.
Caso esse modelo seja amplamente adotado, a forma como consumidores realizam compras online poderá mudar significativamente nos próximos anos.