Google elimina o “Mostrar mais” e amplia respostas de IA nos resultados

Renê Fraga
13 min de leitura

Principais destaques

  • O Google está testando uma nova experiência em que algumas AI Overviews aparecem totalmente expandidas, sem exigir o clique em “Mostrar mais”.
  • A caixa “Pergunte qualquer coisa” pode surgir automaticamente, aproximando a experiência tradicional da Busca do funcionamento do AI Mode.
  • A mudança coloca os resultados orgânicos ainda mais para baixo e pode aumentar a pressão sobre sites que dependem do tráfego vindo do Google.

O Google está dando mais um passo para transformar a experiência tradicional de pesquisa em algo cada vez mais parecido com uma conversa com inteligência artificial. A empresa confirmou que está testando um comportamento no qual algumas AI Overviews são expandidas automaticamente, entregando uma resposta muito mais completa logo no início da página.

A alteração parece pequena na interface, mas pode ter consequências importantes para a forma como as pessoas usam o buscador. Em vez de apresentar apenas um resumo inicial e esperar que o usuário decida se quer continuar, o Google pode determinar que uma resposta mais extensa será útil e carregá-la automaticamente.

Com isso, a caixa “Pergunte qualquer coisa”, que permite continuar a pesquisa dentro da experiência de IA, também pode aparecer sem que o usuário precise tomar uma ação adicional. O resultado é uma página que se aproxima bastante do que já acontece dentro do AI Mode.

O Google confirmou que a expansão é dinâmica e ocorre apenas para determinadas consultas. Segundo a empresa, seus sistemas avaliam quando uma resposta mais ampla pode ser útil para quem está pesquisando. A companhia também afirma que pesquisas internas indicam que essa experiência pode levar os usuários a considerar a Busca mais útil e a continuar explorando o assunto por meio de perguntas adicionais.

Google elimina uma etapa e deixa a resposta de IA mais evidente

Até agora, uma AI Overview normalmente funcionava como uma espécie de introdução. O Google apresentava uma resposta resumida no topo e, em determinadas situações, mostrava um botão “Mostrar mais”. Quem quisesse consultar a resposta completa precisava clicar.

O novo teste muda essa dinâmica. Para determinadas pesquisas, a resposta já aparece expandida, eliminando a necessidade desse clique intermediário.

A diferença fica ainda mais evidente porque a interface pode apresentar a caixa de interação com a IA logo abaixo da resposta. Assim, o usuário não recebe apenas informações sobre a consulta original. Ele também é convidado a continuar conversando com o Google.

Esse detalhe é importante porque transforma a AI Overview de um simples bloco informativo em uma porta de entrada para uma jornada de pesquisa baseada em inteligência artificial.

Em uma busca convencional, a pessoa poderia ler alguns resultados, escolher um site e continuar a investigação fora do Google. Na nova experiência, existe um incentivo para que ela faça uma segunda pergunta diretamente na página de resultados.

É justamente essa aproximação que chamou a atenção de profissionais de SEO. Chris Long foi um dos primeiros a identificar o comportamento e destacou que o Google estava mostrando a caixa do AI Mode automaticamente para determinadas consultas. A observação reforça a percepção de que a empresa está gradualmente tornando a IA uma parte mais central da experiência de pesquisa.

A própria evolução recente do Google aponta nessa direção. Nos últimos dias, a empresa também adicionou novos carrosséis de links ao AI Mode para determinados assuntos, seguindo uma estratégia de colocar mais recursos de exploração diretamente dentro da experiência de inteligência artificial.

Resultados orgânicos podem perder ainda mais espaço

Existe uma consequência visual imediata para essa mudança: os resultados tradicionais aparecem mais abaixo.

Durante muitos anos, a lógica básica do Google era relativamente simples. O usuário fazia uma pergunta e recebia uma combinação de anúncios e resultados orgânicos, com os famosos links azuis ocupando boa parte da página.

As AI Overviews já haviam alterado essa estrutura ao colocar uma resposta gerada por IA antes dos resultados. Agora, quando esse bloco cresce automaticamente, a distância entre a resposta da inteligência artificial e os links tradicionais aumenta ainda mais.

Para quem está apenas tentando encontrar uma informação, isso pode ser conveniente. A resposta chega mais rapidamente e não é necessário abrir várias páginas para comparar informações básicas.

Para publishers, criadores e empresas que dependem de visitas vindas da Busca, porém, a mudança é muito mais delicada.

Um site pode continuar aparecendo entre os primeiros resultados orgânicos e, ainda assim, ficar abaixo de uma resposta de IA tão extensa que o usuário talvez nem precise rolar a página para encontrar uma solução.

Esse é um dos principais pontos de preocupação em relação à evolução das AI Overviews. A questão não é apenas quem aparece em primeiro lugar nos resultados. É também quanto espaço existe entre a resposta apresentada pelo Google e o primeiro link que leva o usuário para um site externo.

O Search Engine Land observou que a expansão dinâmica das AI Overviews empurra os resultados principais para baixo e proporciona uma experiência semelhante à do AI Mode dentro da própria interface tradicional do Google. A publicação também apontou a possibilidade de a mudança resultar em menos cliques para sites, embora o Google não tenha informado qual porcentagem de consultas é afetada pelo teste.

Isso torna qualquer previsão sobre o impacto geral ainda prematura. O comportamento está sendo testado em determinadas consultas e o Google não revelou quantas pesquisas recebem a versão expandida.

Mesmo assim, o movimento chama atenção porque representa mais uma etapa na transformação do conceito de “página de resultados”.

Google está aproximando a Busca tradicional do AI Mode

A diferença entre a Busca normal e o AI Mode começa a ficar menos evidente.

No modelo tradicional, o Google funciona principalmente como uma ferramenta para encontrar páginas. No modelo baseado em IA, a empresa tenta interpretar a intenção do usuário, reunir informações e apresentar uma resposta antes de conduzi-lo para uma nova pergunta.

A nova expansão automática das AI Overviews aproxima esses dois mundos.

O usuário pode começar em uma pesquisa convencional e, sem selecionar explicitamente o AI Mode, acabar diante de uma experiência muito parecida com ele. A resposta aparece ampliada e a caixa para continuar a conversa fica disponível imediatamente.

Isso pode ser parte de uma estratégia maior para tornar a inteligência artificial um comportamento natural dentro da Busca, em vez de depender de uma ação consciente do usuário.

O Google vem testando diferentes maneiras de apresentar recursos de IA diretamente na página principal. No início de agosto, por exemplo, a empresa testou novos botões na página inicial para recursos como criação de imagens, perguntas sobre arquivos e brainstorming, além do acesso ao AI Mode. Na ocasião, Robby Stein, vice-presidente de produto do Google Search, explicou que se tratava de um teste limitado para ajudar as pessoas a descobrir novas possibilidades da Busca.

Poucas semanas depois, o movimento de aproximar os usuários da IA aparece novamente em outro ponto da experiência: agora dentro das próprias respostas.

Há também um cuidado importante na forma como a expansão acontece. Se o usuário já começou a rolar a página para consultar os conteúdos abaixo da AI Overview, o Google interrompe a expansão automática. A justificativa é evitar que a interface mude de tamanho enquanto a pessoa está lendo e faça com que ela perca sua posição.

Esse detalhe mostra que a empresa está tentando equilibrar duas coisas diferentes: dar mais destaque à inteligência artificial e, ao mesmo tempo, evitar uma experiência considerada irritante para quem prefere navegar pelos resultados tradicionais.

Robby Stein voltou a explicar o funcionamento e reforçou que a expansão acontece somente quando os sistemas do Google entendem que ela pode ser útil para determinado assunto. Ele também destacou que essas experiências continuam sendo testadas e ajustadas.

O que essa mudança pode significar para quem publica conteúdo

Para quem trabalha com conteúdo na internet, a mudança representa mais uma razão para acompanhar não apenas as posições tradicionais no Google, mas também a maneira como as informações são apresentadas pela inteligência artificial.

Durante anos, uma das principais metas de uma estratégia de SEO era conquistar uma posição elevada nos resultados orgânicos. Quanto mais alto o site aparecesse, maior seria a possibilidade de receber cliques.

A chegada das AI Overviews tornou esse cálculo mais complexo. Agora, mesmo um resultado bem posicionado pode aparecer depois de uma resposta extensa produzida pelo Google.

Com a expansão automática, esse efeito pode ficar ainda mais forte.

O cenário não significa necessariamente que os links desaparecerão ou que ninguém mais visitará sites. O próprio Google continua adicionando links e mecanismos de exploração às experiências de IA. O ponto é que a jornada até esses links pode mudar.

Em vez de pesquisar, abrir um site e continuar a leitura, o usuário pode fazer uma pergunta, receber uma resposta, formular outra pergunta e permanecer dentro do ecossistema do Google por mais tempo.

Essa possibilidade explica por que a discussão sobre tráfego orgânico está ganhando força entre profissionais de SEO e publishers.

O próprio Search Engine Land destacou que o Google ainda não informou quantas consultas são afetadas pela expansão automática nem se o recurso será ampliado para uma parcela maior das pesquisas.

Por enquanto, portanto, não é possível dizer que essa será a nova aparência de todas as pesquisas. O que já está claro é a direção do teste: o Google está experimentando uma Busca em que a inteligência artificial ocupa mais espaço, responde mais cedo e convida o usuário a continuar a interação.

E isso pode ser apenas mais um passo em uma transformação maior.

A Busca do Google não está simplesmente ganhando uma nova caixa de IA. Ela está mudando a forma como o usuário percorre a página e decide o próximo passo.

Se esse modelo avançar, a diferença entre fazer uma pesquisa comum e entrar deliberadamente no AI Mode poderá ficar cada vez menor. Para o usuário, isso pode significar respostas mais rápidas e uma experiência mais conversacional. Para quem produz conteúdo na web, pode significar uma disputa ainda maior por atenção, cliques e visibilidade.

Por enquanto, o Google trata a expansão como um teste direcionado a situações em que seus sistemas acreditam que uma resposta mais completa será útil. Mas, considerando a quantidade de experiências de IA que a empresa vem introduzindo na Busca em 2026, o movimento merece atenção.

A pergunta agora não é apenas se o Google vai mostrar respostas geradas por IA. Isso já está acontecendo. A questão é quanto da experiência tradicional de pesquisa ainda permanecerá visível quando a inteligência artificial decidir que pode responder por conta própria.

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Renê Fraga é fundador do Google Discovery (GD) e editor-chefe do Eurisko. Profissional de marketing digital, com pós-graduação pela ESPM, acompanha o Google desde os anos 2000 e escreve há mais de duas décadas sobre tecnologia, produtos digitais e o ecossistema da empresa. Criador do Google Discovery em 2006, tornou-se referência na cobertura do Google no Brasil e foi colunista do TechTudo (Globo.com), compartilhando análises e conhecimento com um grande público.
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