Google prepara relatórios interativos para transformar o Gemini Notebook em uma ferramenta de pesquisa mais completa

Renê Fraga
15 min de leitura

Principais destaques

  • O Gemini Notebook está testando relatórios interativos capazes de reunir mapas mentais, gráficos, tabelas e outros conteúdos do Studio em um único documento.
  • A novidade permitirá que o usuário descreva o resultado desejado usando linguagem natural, deixando a inteligência artificial responsável por estruturar o material.
  • O recurso ainda está em testes, mas reforça a estratégia do Google de transformar o antigo NotebookLM em uma plataforma para pesquisa, análise e produção de documentos.

Google testa uma nova geração de relatórios no Gemini Notebook

O Google está preparando mais uma mudança importante para o Gemini Notebook, ferramenta que até julho de 2026 era conhecida como NotebookLM. A empresa parece estar trabalhando em um sistema de relatórios interativos, que poderá transformar informações reunidas durante uma pesquisa em documentos mais completos, visuais e navegáveis.

A novidade foi identificada pelo TestingCatalog em 30 de agosto de 2026. Durante os testes, surgiu no painel Studio um aviso informando que os usuários poderiam criar novos relatórios interativos. A mensagem aparece acompanhada de um botão que leva ao fluxo já existente de criação e personalização de relatórios.

O detalhe mais interessante está dentro desse criador. Uma nova opção chamada “Interativo” aparece como um modelo específico para produzir um relatório com conteúdo incorporado do Studio. Há ainda uma opção de “Visão Geral”, destinada a criar um resumo interativo das principais informações encontradas no material.

Isso significa que o Google não parece estar simplesmente adicionando mais um formato de exportação. A proposta é fazer com que diferentes elementos produzidos durante uma pesquisa possam trabalhar juntos dentro de um mesmo documento.

Por exemplo, uma pessoa poderia fornecer documentos, artigos, relatórios ou outros materiais ao Gemini Notebook e pedir uma análise sobre determinado mercado. Em vez de receber apenas algumas páginas de texto, o resultado poderia reunir explicações, tabelas, gráficos e outras visualizações relacionadas ao conteúdo analisado.

O recurso ainda não foi oficialmente liberado para todos os usuários, e o Google não informou uma data para seu lançamento. Por enquanto, portanto, é melhor tratar a novidade como um recurso em preparação, e não como uma função já disponível para o público.

O usuário poderá explicar o que deseja em um prompt

Uma das partes que mais chama atenção nos testes é a forma como o Google pretende permitir a personalização dos relatórios.

O novo modelo interativo poderá receber instruções detalhadas em linguagem natural. Em outras palavras, o usuário não precisará necessariamente escolher manualmente cada elemento que deverá aparecer no documento. Ele poderá explicar à inteligência artificial qual tipo de análise deseja e como espera que as informações sejam organizadas.

O exemplo identificado nos testes envolve uma análise competitiva do mercado de bebidas funcionais em 2026. A solicitação considera elementos como concorrentes, distribuição e preços. O exemplo dá uma pista importante sobre o público que pode se beneficiar da novidade: pessoas que precisam transformar grandes quantidades de informação em materiais organizados para análise e tomada de decisão.

Imagine, por exemplo, um profissional pesquisando um determinado setor. Ele poderia reunir diferentes fontes no notebook e pedir ao Gemini que criasse um relatório comparando empresas, preços e estratégias de distribuição. Com a proposta atual, o resultado poderia combinar a explicação escrita com tabelas e outros artefatos produzidos no Studio.

Isso aproxima o Gemini Notebook de uma ferramenta de produção de conhecimento, e não apenas de um assistente que responde perguntas sobre documentos.

A diferença é importante. Uma resposta tradicional termina quando o usuário recebe o texto. Um relatório interativo, por outro lado, pode servir como um material de consulta, permitindo que a informação seja apresentada de maneira mais organizada e visual.

O próprio Google já descreve o Studio como o espaço onde são produzidos diferentes tipos de resultados baseados nas fontes de um notebook. Atualmente, a ferramenta permite criar notas, resumos de áudio e vídeo, mapas mentais, relatórios, tabelas de dados, cartões de estudo, questionários, apresentações e infográficos.

A nova função parece ser uma tentativa de juntar parte desse ecossistema em um único produto final.

A evolução do NotebookLM para o Gemini Notebook

Para entender por que os relatórios interativos são relevantes, é preciso olhar para a transformação pela qual a ferramenta passou em 2026.

Em 16 de julho, o Google anunciou oficialmente que o NotebookLM passaria a se chamar Gemini Notebook. A empresa afirmou que a mudança fazia parte de uma aproximação maior com o restante do ecossistema Gemini.

Apesar da mudança de nome, a proposta central continuou sendo ajudar as pessoas a pesquisar, estudar e trabalhar a partir de suas próprias fontes. O que mudou foi a quantidade de recursos colocados em torno dessa experiência.

Segundo o Google, mais de 30 milhões de pessoas e mais de 600 mil organizações já utilizavam o NotebookLM naquele momento. A empresa também passou a destacar recursos mais avançados de análise e raciocínio, além da integração com um computador em nuvem seguro dentro de cada notebook.

Esse ambiente permite que o sistema escreva e execute código para realizar tarefas de análise mais complexas. Para o usuário comum, a consequência mais importante é que operações que normalmente poderiam exigir planilhas, programação ou outras ferramentas podem ser realizadas a partir das informações fornecidas ao notebook.

É justamente nesse cenário que os relatórios interativos começam a fazer sentido.

O Google parece estar tentando construir uma espécie de fluxo completo: o usuário reúne as fontes, conversa com a inteligência artificial, analisa os dados, cria visualizações e, no final, transforma tudo isso em um material pronto para ser consultado ou compartilhado.

A documentação oficial já mostra que os relatórios atuais podem ser exportados para o Google Docs e que tabelas presentes nesses documentos podem ser enviadas para o Google Planilhas. O sistema também permite gerar tabelas de dados personalizadas a partir de instruções escritas pelo usuário.

Os relatórios interativos podem representar o próximo passo dessa evolução.

Studio deixa de ser apenas uma coleção de recursos

O painel Studio é uma das peças mais importantes para entender a direção adotada pelo Google.

Atualmente, ele funciona como uma espécie de área de produção do Gemini Notebook. Em vez de limitar a inteligência artificial a uma conversa de perguntas e respostas, o usuário pode transformar as informações das fontes em diferentes tipos de artefatos.

Um estudante, por exemplo, pode gerar um questionário ou cartões de estudo. Um profissional pode criar uma apresentação. Alguém que esteja tentando compreender um assunto complexo pode utilizar um mapa mental ou um infográfico. Um pesquisador pode criar um relatório ou uma tabela de dados.

Essa abordagem é bastante diferente da experiência tradicional de um chatbot.

Em uma conversa convencional, o usuário recebe uma resposta e precisa decidir o que fazer com ela. No Gemini Notebook, a ideia é cada vez mais transformar a resposta em alguma coisa que possa ser utilizada diretamente.

Os relatórios interativos levam essa filosofia um pouco mais longe.

Em vez de escolher apenas um formato, o usuário poderá aparentemente combinar conteúdos criados pelo Studio. Uma tabela pode ajudar a explicar os números, enquanto um gráfico apresenta uma tendência e um mapa mental mostra a relação entre os conceitos.

O resultado tende a ser mais próximo de um documento de pesquisa moderno do que de uma simples resposta produzida por IA.

Ainda existem, porém, algumas perguntas sem resposta. O Google não explicou publicamente como funcionará a interação com esses relatórios, quais elementos poderão ser incorporados, quais formatos serão suportados ou se o recurso estará disponível para todos os usuários desde o lançamento.

Também não está claro se os relatórios serão apenas visualmente interativos ou se poderão reagir às ações do usuário de maneira mais avançada.

Por enquanto, os indícios encontrados no produto apontam para uma integração entre relatórios e conteúdos já produzidos pelo Studio.

Exportação amplia a utilidade dos materiais criados

A preparação dos relatórios interativos acontece ao mesmo tempo em que o Google amplia as possibilidades de transformar conteúdos do Gemini em arquivos utilizáveis fora da plataforma.

A documentação atual do Gemini Notebook confirma que os relatórios podem ser exportados para o Google Docs. Quando um relatório contém tabelas de dados, também existe uma opção para enviá-las ao Google Planilhas, com cada tabela sendo preenchida em uma guia separada.

Isso pode parecer um detalhe, mas muda bastante a utilidade prática da ferramenta.

Uma pessoa pode começar uma pesquisa dentro do Gemini Notebook, analisar as fontes e criar um relatório. Depois, pode levar o resultado para o Google Docs para continuar a edição ou enviar os dados para o Planilhas para trabalhar com eles de maneira mais tradicional.

A estratégia também combina com a tentativa do Google de conectar o Gemini Notebook a outros produtos da empresa.

A documentação do Google informa que notebooks criados no Gemini Notebook podem aparecer automaticamente na navegação do Gemini. Alterações feitas em fontes, nomes ou instruções personalizadas também podem ser sincronizadas entre os aplicativos.

Há, contudo, uma diferença importante entre as experiências. As respostas no Gemini Notebook são baseadas nas fontes do próprio notebook, enquanto o Gemini pode combinar essas fontes com pesquisa na web e outras ferramentas. Além disso, os artefatos do Studio continuam sendo uma capacidade específica do Gemini Notebook.

Essa distinção ajuda a entender o posicionamento do produto. O Gemini Notebook não está tentando ser apenas mais uma janela de conversa com um modelo de inteligência artificial. O Google está construindo um espaço no qual as fontes, as análises e os materiais produzidos pela IA ficam reunidos.

Uma mudança importante para quem usa IA para pesquisar

Se os relatórios interativos forem lançados com o comportamento observado nos testes, a novidade poderá ser especialmente interessante para profissionais que precisam lidar com grandes volumes de informação.

Relatórios de mercado, pesquisas acadêmicas, análises de concorrentes, documentos internos e materiais de estudo são exemplos de conteúdos que podem se beneficiar de uma apresentação mais visual.

A vantagem está na possibilidade de reduzir a distância entre pesquisar e produzir.

Normalmente, uma pessoa precisa encontrar as informações, organizar os dados, escolher o formato da apresentação, montar tabelas, criar gráficos e escrever as conclusões. Uma ferramenta como o Gemini Notebook tenta automatizar parte desse processo.

Isso não significa que a inteligência artificial substituirá a revisão humana. Pelo contrário. Quanto mais complexo for o relatório, mais importante será conferir se os dados foram interpretados corretamente e se as conclusões realmente estão apoiadas pelas fontes.

O próprio Google mantém alertas de que seus recursos de IA são experimentais em diferentes áreas. A presença de um recurso em testes também não garante que a versão final terá exatamente o mesmo funcionamento.

Ainda assim, a direção parece clara.

Desde a chegada do NotebookLM, o Google vem aumentando a quantidade de maneiras pelas quais as pessoas podem interagir com suas fontes. Primeiro vieram recursos que ajudavam a resumir e compreender documentos. Depois, a plataforma passou a gerar áudio, vídeo, mapas mentais, infográficos, apresentações e tabelas. Agora, os relatórios interativos apontam para uma tentativa de unir essas peças em experiências mais completas.

O próximo passo pode ser fazer com que o usuário precise cada vez menos pensar na ferramenta que está utilizando. Em vez de perguntar qual botão deve apertar para criar uma tabela, um gráfico ou uma apresentação, ele simplesmente descreve o resultado que deseja.

Essa é uma mudança pequena na interface, mas potencialmente grande na forma de usar inteligência artificial.

Por enquanto, o Gemini Notebook ainda não recebeu oficialmente os relatórios interativos. O recurso foi identificado em testes e o Google não anunciou uma data de lançamento. Mas, se a função chegar ao público com a proposta observada, o antigo NotebookLM estará cada vez mais distante da imagem de um simples aplicativo para resumir documentos.

A plataforma está se transformando em algo mais ambicioso: um ambiente no qual a pesquisa começa com fontes fornecidas pelo usuário e pode terminar em um material estruturado, visual e pronto para ser utilizado.

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Renê Fraga é fundador do Google Discovery (GD) e editor-chefe do Eurisko. Profissional de marketing digital, com pós-graduação pela ESPM, acompanha o Google desde os anos 2000 e escreve há mais de duas décadas sobre tecnologia, produtos digitais e o ecossistema da empresa. Criador do Google Discovery em 2006, tornou-se referência na cobertura do Google no Brasil e foi colunista do TechTudo (Globo.com), compartilhando análises e conhecimento com um grande público.
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