Principais destaques
- O Angiru recupera a aparência e várias características do antigo Orkut, mas é uma plataforma independente e não tem ligação com o Google.
- O cadastro exige informações pessoais como nome, data de nascimento, cidade, país e e-mail, além de uma nova senha.
- A semelhança visual com o Orkut original não significa que a plataforma tenha a mesma infraestrutura, histórico ou mecanismos de segurança associados ao Google.
Angiru, o “novo Orkut” que viralizou no Brasil exige cuidado com dados pessoais
O Orkut acabou oficialmente em 2014, mas a memória da rede social continua viva entre os brasileiros. Agora, uma plataforma chamada Angiru voltou a colocar no centro das atenções elementos que pareciam ter ficado definitivamente presos à internet dos anos 2000.
A página reproduz uma experiência bastante familiar para quem usou o Orkut: perfis pessoais, amigos, comunidades, mensagens e uma interface que remete diretamente à antiga rede social.
A diferença fundamental está por trás da aparência. O Angiru não é o Orkut e não pertence ao Google. Trata-se de um projeto independente desenvolvido pela empresa paraguaia Softwarani.
Essa distinção é importante porque o visual pode criar uma sensação de familiaridade que não necessariamente se estende à infraestrutura ou às políticas de segurança.
Uma viagem de volta à internet dos anos 2000
Para entender por que o Angiru chama tanta atenção, é preciso lembrar o peso que o Orkut teve no Brasil.
A rede social foi lançada em 2004 como um projeto ligado ao Google e rapidamente se tornou um dos principais pontos de encontro dos internautas brasileiros. Comunidades, depoimentos, scraps e álbuns ajudaram a definir a maneira como uma geração passou a se relacionar pela internet.
O Google anunciou o encerramento do serviço em junho de 2014, com a desativação marcada para setembro daquele ano. Na época, a empresa orientou os usuários sobre a possibilidade de preservar parte do conteúdo por meio do Google Takeout.
Mais de uma década depois, o Angiru tenta recuperar justamente essa atmosfera.
A plataforma oferece uma experiência que lembra o funcionamento do antigo Orkut e permite que novos usuários criem seus próprios perfis e comunidades. Para quem sente falta daquele modelo de rede social, a proposta tem um forte componente de nostalgia.
Mas há uma diferença que não pode ser ignorada: não existe continuidade entre as contas do antigo Orkut e os perfis do Angiru.
Quem se cadastra no serviço precisa começar novamente. Fotos, amigos, mensagens e comunidades que existiam na plataforma original não aparecem automaticamente no novo perfil.
Em resumo: o Angiru recria a experiência do Orkut, mas não ressuscita os servidores, as contas ou os dados da antiga rede social.
O cadastro pede mais informações do que apenas um apelido
Outro ponto que merece atenção está no processo de registro.
A página de cadastro do Angiru solicita nome, sobrenome, gênero, data de nascimento, cidade, país, nome de usuário, e-mail e senha. O usuário também precisa aceitar os termos e condições da plataforma.
A data de nascimento, em particular, precisa ser informada durante o preenchimento do formulário. Isso não significa, por si só, que exista um problema de segurança ou que os dados sejam utilizados de maneira indevida.
O ponto é outro: qualquer informação pessoal entregue a uma plataforma deve ser fornecida com conhecimento de onde ela está sendo armazenada e para qual finalidade.
Esse cuidado é ainda mais importante quando o serviço não é uma continuação oficial de uma plataforma conhecida pelo usuário.
O próprio site do Angiru identifica a Softwarani e apresenta links para áreas de segurança, privacidade e termos.
Para quem está chegando ao serviço por causa da onda de nostalgia, vale ler essas informações antes de concluir o cadastro.
Quais dados são solicitados?
| Informação | Solicitada no cadastro |
|---|---|
| Nome e sobrenome | Sim |
| Gênero | Sim |
| Data de nascimento | Sim |
| Cidade e país | Sim |
| Nome de usuário | Sim |
| Sim | |
| Senha | Sim |
O cadastro também estabelece algumas regras técnicas, como a necessidade de um nome de usuário único e uma senha com pelo menos oito caracteres.
Isso não permite concluir, sozinho, se a plataforma é mais ou menos segura do que qualquer outro serviço. Para fazer uma avaliação desse tipo seria necessário analisar tecnicamente sua infraestrutura, implementação, armazenamento de dados, controles de acesso, políticas e histórico de incidentes.
Por isso, a comparação com o Google precisa ser feita com cuidado.
A aparência do Orkut não veio acompanhada da infraestrutura do Google
O principal risco para um usuário desatento não está necessariamente no fato de o Angiru existir, mas na possibilidade de ele interpretar a plataforma como uma espécie de retorno oficial do Orkut.
Não é isso que aconteceu.
O Google encerrou o Orkut em 2014 e informou oficialmente que a empresa concentraria seus esforços em outros produtos e plataformas.
O Angiru, por outro lado, é uma iniciativa independente. A própria plataforma se apresenta como um serviço da Softwarani, e reportagens recentes sobre o projeto reforçam que não existe vínculo com o Google.
Essa diferença muda completamente a maneira como o serviço deve ser encarado.
Ao entrar em um produto do Google, o usuário está dentro de uma infraestrutura desenvolvida e administrada por uma das maiores empresas de tecnologia do mundo, com políticas, equipes, sistemas de proteção e mecanismos próprios de controle de privacidade.
Isso não significa que grandes empresas sejam imunes a problemas de segurança. Significa apenas que não se deve presumir que uma plataforma independente tenha os mesmos recursos, processos ou garantias de uma companhia como o Google.
Publicidade ajuda a manter o serviço gratuito
O modelo de funcionamento também chama atenção.
O Angiru pode ser utilizado gratuitamente e a plataforma é mantida com publicidade, segundo informações recentes sobre o serviço.
Esse modelo, por si só, não é incomum. Grande parte da internet funciona dessa maneira, oferecendo serviços sem cobrança direta e obtendo receita com anúncios.
O próprio Google explica que a publicidade representa uma parte central de seu modelo de negócios e ajuda a financiar produtos oferecidos gratuitamente. A companhia também afirma que não vende informações pessoais dos usuários a anunciantes.
A comparação serve para mostrar por que o modelo de financiamento merece ser entendido, e não para sugerir que o Angiru utilize os dados dos usuários de uma determinada maneira.
No caso de qualquer rede social sustentada por publicidade, é recomendável verificar a política de privacidade e entender quais informações são coletadas, para quais finalidades e com quem podem ser compartilhadas.
O maior cuidado é não reutilizar sua senha
Existe ainda uma precaução simples que pode fazer uma diferença enorme: não use no Angiru a mesma senha utilizada em outros serviços importantes.
Se uma pessoa utiliza a mesma combinação de e-mail e senha em diferentes sites, um eventual vazamento em um deles pode criar problemas em outros serviços. O risco aumenta quando a senha também é usada em contas de e-mail, redes sociais, bancos ou plataformas de trabalho.
O ideal é criar uma senha exclusiva para cada serviço e, quando houver suporte, utilizar autenticação em dois fatores.
Também não é recomendável fornecer informações adicionais apenas por curiosidade. Se determinado dado não for necessário para utilizar uma função, o usuário pode avaliar se realmente precisa compartilhá-lo.
O que fazer antes de criar uma conta
1. Confira o endereço do site.
Evite clicar em links recebidos de desconhecidos e confirme se está realmente no domínio oficial da plataforma.
2. Leia as políticas de privacidade.
É ali que devem estar as explicações sobre coleta, armazenamento e utilização de informações.
3. Use uma senha exclusiva.
Nunca reutilize a senha do Gmail, Instagram, Facebook, banco ou outro serviço importante.
4. Evite compartilhar dados desnecessários.
Informações pessoais não devem ser fornecidas apenas porque o formulário permite.
5. Não confunda nostalgia com vínculo oficial.
A aparência do Angiru foi inspirada no Orkut, mas a plataforma não é administrada pelo Google.
O “novo Orkut” é novo, mas o Orkut não voltou
O sucesso do Angiru mostra como a nostalgia continua sendo uma força poderosa na internet.
Em 2026, projetos independentes estão recuperando experiências associadas a serviços que marcaram os anos 2000. Além do Angiru, iniciativas como o Escargot procuram reproduzir a experiência do antigo MSN Messenger. Nenhuma delas representa o retorno oficial das plataformas originais.
No caso do Angiru, a proposta pode ser interessante para quem sente falta de uma época em que comunidades e perfis tinham um papel mais central nas redes sociais.
Mas a experiência deve ser encarada pelo que ela é: uma nova plataforma inspirada em uma antiga rede social, e não uma continuação do Orkut do Google.
Essa diferença é pequena quando se olha apenas para a tela. Do ponto de vista de dados, infraestrutura e segurança, porém, ela é fundamental.
O usuário pode aproveitar a nostalgia, criar comunidades e reencontrar uma parte da experiência que marcou a internet brasileira. Só não deve deixar que a familiaridade da interface faça parecer que está novamente dentro do ecossistema do Google.