Principais destaques
- Mais quilômetros sem motorista: a Waymo ultrapassou 300 milhões de milhas percorridas de forma totalmente autônoma e já opera em 15 grandes cidades dos Estados Unidos.
- Expansão que custa bilhões: a divisão Other Bets, que inclui a empresa de robotáxis, registrou prejuízo operacional de aproximadamente US$ 2,05 bilhões no trimestre.
- Concorrência cada vez mais forte: Amazon, Tesla e Baidu disputam espaço no mercado de veículos autônomos, enquanto a Alphabet amplia os investimentos para acelerar a expansão da Waymo.
A Waymo está avançando nas ruas, mas a conta para transformar os robotáxis em um negócio de grande escala continua crescendo. A empresa ultrapassou a marca de 300 milhões de milhas percorridas sem motorista humano ao volante, segundo Sundar Pichai, CEO da Alphabet, durante a divulgação dos resultados do terceiro trimestre, em 28 de outubro.
O marco representa um avanço expressivo para a tecnologia de direção autônoma. O problema está no outro indicador: o financeiro.
A divisão Other Bets, que reúne iniciativas da Alphabet fora de seus principais negócios, registrou receita de US$ 372 milhões e prejuízo operacional de aproximadamente US$ 2,05 bilhões no trimestre.
A distância percorrida pela Waymo
482,8 milhões
de quilômetros
Equivalência de 300 milhões de milhas
1 milha = 1,609344 km
Distância acumulada em viagens totalmente autônomas, segundo os dados divulgados pela Alphabet.
🚘 Mais cidades, mais quilômetros
A Waymo vem ampliando sua operação comercial nos Estados Unidos, levando seus serviços de transporte autônomo a novos mercados.
“Já rodamos mais de 300 milhões de milhas totalmente autônomas”, afirmou Pichai durante a teleconferência de resultados.
O executivo também destacou que a empresa opera em 15 grandes cidades americanas e abriu recentemente o serviço ao público em San Antonio, San Diego e Tampa.
A expansão não deve parar por aí. A companhia planeja entrar em mercados internacionais, incluindo Canadá, Alemanha, Singapura e Espanha.
📈 A velocidade da expansão chama atenção: no início de fevereiro, a Waymo informou que estava perto de atingir 200 milhões de milhas autônomas. A nova marca supera esse patamar em mais de 50%, mostrando o ritmo de crescimento da operação.
Mas percorrer mais quilômetros não significa, automaticamente, ganhar dinheiro. Cada nova cidade exige infraestrutura, manutenção, suporte operacional e capacidade para atender passageiros com segurança.
💸 O negócio cresce, mas o prejuízo também
Os números da Other Bets mostram a dimensão do desafio.
| Indicador | Resultado |
|---|---|
| Receita trimestral | US$ 372 milhões |
| Receita no mesmo período do ano anterior | US$ 344 milhões |
| Crescimento da receita | 8% |
| Prejuízo operacional trimestral | Cerca de US$ 2,05 bilhões |
| Prejuízo operacional no ano anterior | US$ 1,43 bilhão |
A receita cresceu, mas o prejuízo operacional aumentou aproximadamente 43% na comparação anual. Além disso, o segmento respondeu por apenas cerca de 0,3% das vendas totais da Alphabet.
O contraste é significativo: a Waymo avança em uma tecnologia que pode transformar o transporte urbano, mas ainda está inserida em uma operação que consome muito mais dinheiro do que gera em receita.
🗣 A justificativa da Alphabet: a diretora financeira Anat Ashkenazi atribuiu o prejuízo aos esforços para expandir a Waymo e investir em outras iniciativas estratégicas da divisão Other Bets.
O desafio não é apenas colocar mais robotáxis nas ruas. É fazer com que a expansão se aproxime de um modelo economicamente sustentável.
🏦 A Waymo também recorre a dinheiro externo
A Alphabet continua sendo a principal financiadora da expansão, mas a Waymo também está buscando outras formas de levantar recursos.
Em fevereiro, a empresa captou US$ 16 bilhões em uma rodada de financiamento que avaliou o negócio em US$ 126 bilhões. A rodada foi liderada pela própria Alphabet.
Neste mês, a companhia também fechou um empréstimo a prazo de US$ 5 bilhões, sua primeira captação por meio de dívida, segundo o texto-base.
Esses recursos ajudam a financiar a expansão sem depender exclusivamente das receitas geradas pelas corridas. Por outro lado, mostram a dimensão dos investimentos necessários para construir uma operação de transporte autônomo em larga escala.
🥊 Amazon, Tesla e Baidu estão na disputa
A Waymo não está sozinha na corrida pelos robotáxis.
Nos Estados Unidos, a empresa enfrenta a Zoox, da Amazon, e a Tesla, de Elon Musk. No mercado internacional, a Apollo Go, da chinesa Baidu, é uma concorrente importante.
A Tesla afirma que seus veículos Robotaxi já acumularam cerca de 3,8 milhões de milhas sem supervisão. Musk também declarou que espera uma contribuição significativa do negócio para a receita da empresa no segundo semestre de 2027.
As comparações exigem cautela: os números divulgados pelas companhias podem refletir condições operacionais diferentes, e a quilometragem, isoladamente, não permite avaliar toda a segurança, a escala comercial ou a rentabilidade de cada sistema.
🌎 A próxima etapa será internacional: a Waymo planeja iniciar corridas na Alemanha em 2027 e em Toronto, no Canadá, em 2028. A entrada em novos mercados ampliará as oportunidades, mas também exigirá adaptação às regras locais e às condições de cada cidade.
📉 A pressão financeira vai além da Waymo
A divulgação dos resultados da Alphabet trouxe outro sinal de alerta para investidores.
A receita trimestral da controladora do Google cresceu 25%, chegando a aproximadamente US$ 127,6 bilhões. O lucro por ação, porém, ficou em US$ 2,12, abaixo da estimativa de consenso de US$ 3,02.
O lucro líquido também sofreu impacto de US$ 8,2 bilhões em outras receitas e despesas, principalmente por uma perda não realizada na participação da Alphabet na SpaceX. A empresa registrou ainda fluxo de caixa livre negativo superior a US$ 9 bilhões.
A Alphabet manteve sua previsão de investimentos de capital entre US$ 195 bilhões e US$ 205 bilhões para o ano, direcionados majoritariamente à infraestrutura de inteligência artificial.
As ações caíram mais de 10% nas negociações após o fechamento do mercado. Se a queda se confirmasse no pregão seguinte, seria a maior desvalorização diária desde março de 2020.
O contexto importa porque a Waymo compete por recursos dentro de um grupo que também está investindo pesadamente em inteligência artificial e infraestrutura computacional.
🔎 O que os 300 milhões de milhas realmente representam?
A marca demonstra que a Waymo está ampliando sua experiência operacional e sua presença comercial. Entretanto, não responde sozinha às perguntas que definirão o futuro do negócio.
Entre elas estão o custo de cada corrida, a eficiência da frota, a capacidade de operar em diferentes condições e o tempo necessário para que a receita cubra os custos da expansão.
A Waymo já percorreu uma distância expressiva sem depender de um motorista humano ao volante. Agora, precisa demonstrar que consegue transformar essa vantagem tecnológica em um negócio escalável.
E, enquanto a Alphabet financia essa corrida, Amazon, Tesla e Baidu tentam conquistar seu próprio espaço. A disputa não será decidida apenas por quem consegue dirigir mais milhas sem motorista, mas por quem consegue fazer isso de maneira segura, confiável e financeiramente sustentável.