Principais destaques
- O Gemini Notebook, antigo NotebookLM, ganhou o recurso Expert Intelligence, que permite usar determinados ebooks comprados no Google Play Livros como fontes para projetos com inteligência artificial.
- A IA pode responder perguntas sobre as obras e transformar seu conteúdo em materiais como resumos, infográficos, quizzes e visões gerais em áudio.
- A novidade começou com mais de 100 mil livros de editoras participantes, mas o Google já prepara a expansão do recurso para outros produtos, incluindo o aplicativo Gemini e o Modo IA da Busca.
Ler um livro digital e conversar com uma inteligência artificial sobre o conteúdo já não precisa significar copiar trechos ou enviar manualmente um arquivo para análise. O Google começou a integrar os ebooks comprados no Google Play Livros diretamente ao Gemini Notebook, permitindo que determinadas obras sejam utilizadas como fontes dentro de um projeto.
A novidade faz parte do Expert Intelligence, uma iniciativa criada pelo Google para aproximar seus produtos de IA de conteúdos considerados fontes especializadas. A proposta é permitir que o usuário consulte o conhecimento de autores e publicações dentro de um ambiente em que também pode reunir documentos próprios, páginas da internet e outros materiais.
O recurso chega poucos meses depois de o Google mudar o nome do NotebookLM para Gemini Notebook. Apesar da mudança de marca, a empresa mantém a proposta central da ferramenta como um espaço para pesquisa e aprendizado baseado nas fontes escolhidas pelo próprio usuário.
O livro passa a fazer parte do projeto de IA
Na prática, o funcionamento é relativamente simples. O usuário precisa estar conectado ao Gemini Notebook com a mesma conta utilizada no Google Play Livros e, dentro de um notebook, selecionar a opção para adicionar fontes.
Os ebooks compatíveis aparecem como opções disponíveis. Depois de adicionados, eles podem ser utilizados nas conversas com a IA da mesma maneira que outras fontes do notebook.
Isso muda bastante a relação entre um livro digital e uma ferramenta de inteligência artificial. Em vez de apenas ler uma obra de forma linear, o usuário pode voltar diretamente a determinados conceitos, pedir explicações e explorar relações entre diferentes partes do conteúdo.
O Google também permite transformar o material em diferentes formatos. Entre as possibilidades estão resumos, infográficos, quizzes, mapas mentais e visões gerais em áudio, recursos pensados especialmente para quem está estudando ou tentando absorver uma grande quantidade de informação.
O que é possível fazer com um ebook?
O potencial fica mais claro quando o livro deixa de ser tratado como uma fonte isolada.
Um gerente, por exemplo, pode usar uma obra sobre liderança para discutir com a IA estratégias para conversar com funcionários e lidar com situações difíceis. O Google cita justamente esse tipo de aplicação ao apresentar o Expert Intelligence.
Em outro cenário, um usuário pode combinar o conhecimento de um livro com informações próprias. Uma pessoa poderia reunir anotações pessoais e uma obra especializada para pedir à IA uma análise que considere os dois conjuntos de informações.
Há ainda aplicações mais simples, mas potencialmente úteis no cotidiano. O Google cita o exemplo de alguém que fotografa os ingredientes disponíveis na geladeira e utiliza um livro de receitas como referência para montar um planejamento de refeições.
O ponto central é que o livro funciona como base de conhecimento para o projeto, enquanto as outras fontes acrescentam contexto. A IA deixa de trabalhar apenas com uma resposta genérica e passa a considerar o material selecionado pelo usuário.
Mais de 100 mil livros fazem parte da estreia
O Expert Intelligence não foi lançado com todo o catálogo do Google Play Livros. A primeira etapa reúne mais de 100 mil ebooks, em parceria com grandes editoras como Bloomsbury, De Gruyter Brill, Johns Hopkins University Press, Macmillan Publishers, O’Reilly Media e Penguin Random House.
Também houve colaboração direta com mais de 15 autores, incluindo nomes como Steven Pinker e Michael Pollan. O Google criou ainda alguns notebooks especiais que combinam os livros desses autores com outras fontes e materiais para aprofundar a experiência de leitura.
A disponibilidade, porém, não significa que qualquer ebook comprado na loja possa ser utilizado imediatamente. O Google informa que, atualmente, são elegíveis determinados títulos em inglês e que a disponibilidade depende de fatores como a participação da editora, idioma e formatação do livro.
Há uma maneira simples de verificar a compatibilidade. No Google Play Livros, os títulos elegíveis podem apresentar um selo “Tools”, indicando que o livro pode ser utilizado com o Gemini Notebook. Dentro da ferramenta, obras que não podem ser usadas aparecem como indisponíveis.
| Recurso | Como funciona |
|---|---|
| Ebook comprado | Pode ser adicionado ao Gemini Notebook se for elegível |
| Perguntas | A IA responde usando o conteúdo da obra como fonte |
| Resumos | O conteúdo pode ser reorganizado e sintetizado |
| Infográficos | A ferramenta pode transformar informações do livro em material visual |
| Áudio | É possível gerar visões gerais em áudio |
| Outras fontes | O livro pode ser combinado com documentos, sites e outros materiais |
Outro detalhe importante é que o Google estabelece limites técnicos para as fontes. A documentação atual informa que cada fonte pode ter até 500 mil palavras e que usuários do plano gratuito podem trabalhar com até 50 fontes em um notebook.
Google tenta preservar os direitos dos livros
A integração também traz uma questão particularmente sensível: quem tem acesso ao conteúdo de uma obra comprada?
O Google afirma que criou controles para impedir que alguém use um livro simplesmente porque outra pessoa o adicionou a um notebook compartilhado. Para interagir com a obra, cada usuário precisa ter direito de acesso ao título no Google Play Livros.
Isso significa que compartilhar um notebook não equivale a compartilhar automaticamente o ebook.
Se uma pessoa participar de um projeto que contém um livro ao qual ela não tem acesso, será necessário adquirir a própria cópia para poder interagir com o conteúdo. Caso contrário, a obra fica indisponível para aquele colaborador.
A preocupação é relevante porque o novo recurso coloca livros completos dentro de um fluxo de inteligência artificial. Para editoras e autores, controlar quem pode consultar esse material é uma parte importante do modelo.
O Google também afirma que trabalhou diretamente com editoras e autores para desenvolver esses mecanismos. A companhia vê a iniciativa não apenas como uma ferramenta de leitura, mas também como uma possível nova forma de descoberta de conteúdo e de aproximação entre leitores e autores.
Não é necessário enviar o arquivo manualmente
Outro aspecto importante está na forma como o recurso funciona. O usuário não precisa fazer upload de uma cópia do ebook para transformá-lo em fonte.
A integração acontece entre o Google Play Livros e o Gemini Notebook. Na prática, isso também ajuda a diferenciar o recurso do uso convencional de arquivos PDF ou EPUB enviados pelo próprio usuário.
A documentação do Google ressalta, inclusive, que livros que foram apenas enviados pelo usuário para sua biblioteca do Play Livros não podem ser utilizados como fontes dessa maneira. O título precisa estar entre as obras elegíveis associadas à conta.
Isso cria uma camada adicional de controle sobre os direitos de utilização. O sistema consegue relacionar o acesso ao livro à conta que efetivamente possui a obra.
Uma mudança na forma de pesquisar com IA
A chegada dos ebooks representa uma evolução importante para o Gemini Notebook porque amplia o tipo de conhecimento que pode servir como base para uma conversa com a IA.
Até aqui, ferramentas desse tipo ganharam espaço principalmente por permitir que usuários reunissem PDFs, páginas da internet, documentos, vídeos e outros materiais. Agora, o Google começa a aproximar esse modelo de um conteúdo tradicionalmente mais fechado: o livro comercial.
Isso é particularmente interessante para estudantes e profissionais que precisam consultar obras extensas. Em vez de procurar manualmente uma informação entre centenas de páginas, o usuário pode formular uma pergunta e pedir que a ferramenta encontre uma resposta fundamentada na fonte.
O sistema também pode trabalhar com mais de uma referência. Assim, um livro pode fornecer a fundamentação teórica enquanto documentos próprios, páginas da web ou outras fontes acrescentam informações ao projeto. O Gemini Notebook foi desenvolvido justamente para manter as respostas vinculadas às fontes utilizadas, com citações no conteúdo gerado.
Isso não elimina a necessidade de conferir as informações. Como acontece com outras ferramentas generativas, uma resposta produzida pela IA deve ser avaliada dentro do contexto da fonte original, especialmente quando o assunto envolve decisões importantes ou conhecimento especializado.
Google quer levar a ideia para além dos livros
O Expert Intelligence também deve ser entendido como algo maior do que uma integração entre dois produtos.
O Google afirma que começou pelos ebooks no Gemini Notebook, mas pretende levar conteúdos habilitados pelo programa para outros produtos. Entre os destinos citados estão o aplicativo Gemini e o Modo IA da Busca.
A empresa também diz que pretende incorporar outras categorias de fontes no futuro, incluindo assinaturas de terceiros, relatórios de pesquisa empresarial e livros didáticos.
Se essa expansão avançar, a estratégia pode transformar o conceito de uma fonte especializada dentro dos produtos de IA do Google. Em vez de depender apenas de informações abertas na web, os sistemas poderão trabalhar cada vez mais com conteúdos licenciados e escolhidos pelo usuário.
Esse movimento também acompanha uma tendência mais ampla do Google de aproximar diferentes serviços de seu ecossistema. O Gemini Notebook já permite trabalhar com diversas categorias de fontes, enquanto o próprio Google Play Livros vem recebendo recursos de IA para ajudar leitores a compreender e explorar obras.
O resultado é uma mudança sutil, mas importante: o ebook deixa de ser apenas um livro digital para leitura e passa a funcionar também como uma fonte interativa de conhecimento.
Para quem já mantém uma biblioteca digital no Google Play Livros, a novidade pode representar uma maneira completamente diferente de revisitar obras compradas. Em vez de simplesmente voltar às páginas, será possível fazer perguntas, cruzar ideias e transformar o conteúdo em novos formatos, mantendo o livro no centro da experiência.